Carta à ONU

Da Amazônia às Nações Unidas

Os povos da amazônia têm muito o que dizer ao mundo, e queremos todos ser ouvidos. Dirigimos uma carta, assinada por especialistas e estudantes espalhados pela amazônia, para o Secretário-Geral das Nações Unidas. Denunciamos o Genocídio e o Ecocídio que está acontecendo nesse momento, e exigimos voz no palco do mundo. Entregaremos, juntos, essa carta, pessoalmente, na sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque. Para isso, esperamos contar com 500,000 (quinhentas mil) assinaturas.

Junte-se a nós, assine e espalhe com toda a sua família e amigos!

Para cidadãos de países de Língua Portuguesa residentes no Brasil: Assinar carta “Aliança Pela Amazônia” – Brasil”

Para cidadãos de países de Língua Portuguesa não residentes no Brasil: Assinar carta “Aliança Pela Amazônia – Grupo de Países Lusófonos”

For international citizens: sign here

Leia a carta:

Cartas às Nações Unidas

Para António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas

Excelentíssimo Secretário-Geral das Nações Unidas, a Floresta Amazônica é um bioma que ocupa cinco milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados. É lar da maior biodiversidade do planeta, é a casa dos mais diversos povos e culturas. Em uma área que estende-se por nove países, a saber, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Brasil e França, esse tesouro tropical está sendo destruído em um ritmo cada vez maior, e com certa conivência de forças políticas.

Senhor Secretário-Geral, observou o mundo, recentemente, os jovens, em sua maioria da América do Norte e da Europa, a levantarem-se contra a inação de forças políticas no combate contra a emergência climática que está acontecendo nesse momento. Essa crescente onda de manifestação a nível global despertou o interesse público para problemas diversos, entre eles o genocídio da população nativa na Amazônia. Infelizmente, senhor Secretário-Geral, quando um jovem grita como Greta Thunberg, no interior da Amazônia, a retaliação é o destino certo. Não por acaso viu-se cada vez mais assassinatos de líderes indígenas na Amazônia.

É quase um consenso mundial a importância de se proteger a Amazônia. Mas clamamos, também, que se pense na proteção dos povos da Amazônia. Os governos locais, por inação ou por falta de recursos, encontram-se claramente limitados no dever básico de proteger seu povo e seus lares. Não há exagero nessas palavras: estamos diante de um genocídio e um ecocídio amazônico.

Senhor Secretário-Geral, clamamos pela atenção no disposto no número um do Artigo 1º da Carta das Nações Unidas, que trata-se de manter a paz e a segurança internacional. Não é possível viver diante um genocídio e um ecocídio e cruzar os braços. Clamamos vossa Excelência que projete nosso pedido de socorro ao mundo.

Leo Heileman, diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em um artigo de opinião emitido à diversos jornais na América Latina, declarou que “sem a Amazônia e sem as outras florestas tropicais do planeta, não podemos limitar o aquecimento global a 2°C – muito menos a 1,5°C -, o que tornará impossível cumprir os compromissos do Acordo de Paris. Não temos tempo a perder.”. A necessidade de salvar a Amazônia e seu povo está completamente ligada também à luta contra a Emergência Climática.

• É preciso clamar pelo desenvolvimento sustentável da amazônia, sem o recurso à extração desenfreada e ilegal de madeira, extração intensiva de minérios ou mesmo petróleo. Apelar ao aumento de fontes renováveis de energia e estimular a agricultura urbana e a agrofloresta. • É preciso clamar dos governos um pacto firme em investimento em educação nas cidades Amazônicas. Clamar por maiores oportunidades aos jovens amazônidas, a nível educacional e profissional. Não há proteção da Amazônia se não houver proteção e crescimento de seu próprio povo. • É preciso clamar dos governos uma maior integração das áreas amazônicas, que estão à margem do progresso – ainda que esse tenha vindo, em grande parte, de sua própria exploração. • É preciso colaborar na criação ou recriação de um fundo de proteção da Amazônia, em conjunto com os governos regionais. Um fundo que estenda-se também para o incentivo à adoção de práticas sustentáveis na Amazônia, que possibilitem o crescimento de pequenas e médias cidades, com seus pequenos e médios produtores. Precisa-se de um fundo que promova o negócio local e sustentável. • É preciso exigir firmemente uma proteção real dos povos nativos da amazônia contra as indústrias e corporações extrativistas assassinas e genocidas. As Nações Unidas devem permanentemente e ativamente criar um posto de observação, que sirva como ponte direta entre a comunidade local e o órgão. É preciso lutar ativamente contra o genocídio de populações indígenas.

A inação política nos leva a esse pedido de ajuda à mais alta posição do mundo globalizado. Excelentíssimo Secretário-Geral das Nações Unidas, nós, o povo da Amazônia, e também do mundo inteiro, pedimos que não seja insensível a essa carta.

Extinction Rebellion Brasil
Abel Fernando Barros Rodrigues Estudante de Direito e Ativista Ambiental, Belém, Brasil
João Daniel Mendonça Estudante de Engenharia Agronômica e Ativista Ambiental, Leiria, Portugal
Luísa Mota Lima dos Santos Antropóloga e Pesquisadora, São Paulo, Brasil
Ruth de Jesus Barros Valadares Historiadora e Professora, Belém, Brasil
Vanessa Nakate Fridays For Future Uganda